

Recentemente, uma pesquisa desenvolvida pelo historiador Jailson Ribeiro, servidor do Arquivo Municipal há mais de 20 anos, foi publicada em uma revista científica internacional. Intitulado A Iconografia como informação social no arquivo: a organização simbólica do poder na série documental “Marcas de fogo” (Vitória da Conquista, 1893–1943) , o estudo analisa os registros seriais das marcas de ferrar gado (1893–1943), custodiados no Arquivo Municipal, como documentos de natureza iconográfica que refletem a organização do conhecimento e a estrutura do poder no sertão. Inicialmente elaborados com valor administrativo, servindo de prova e controle fazendário, estes registros se transformaram em uma forma de escrita simbólica essencial para a memória social e a documentação cultural.


Jailson Ribeiro
O artigo, escrito em parceria com outros dois pesquisadores, Fábio Sena Santos e José Cláudio Alves de Oliveira, foi publicado na Revista Fontes Documentais (RFD) , vinculada ao Portal de Periódicos da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O periódico é voltado para a produção das áreas de Ciência da Informação, Biblioteconomia, Documentação, Arquivologia, Museologia, Tecnologias da Informação e Comunicação, História da Educação e áreas afins relacionadas com Cultura, Memória, Identidade e Patrimônio Documental.
A pesquisa aborda como a ocupação econômica do sertão nordestino encontrou na criação de gado sua principal expressão, e com o desenvolvimento da atividade, já no período republicano, tornou necessária um maior controle fazendário por parte da administração pública local, tanto para a arrecadação de tributos quanto para evitar conflitos entre os fazendeiros. Dessa forma, as marcas de ferro passaram a representar iconograficamente um status social e econômico das famílias tradicionais de Vitória da Conquista.
O estudo reafirma que “a gestão documental e o tratamento técnico desses acervos no Arquivo Municipal são cruciais, pois é o processo técnico que permite a transformação da informação burocrática em Memória Social, em patrimônio”, o que reforça a importância do espaço para valorizar a diversidade cultural e democratizar o acesso ao conhecimento.
Aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, o Arquivo Municipal é o principal ponto de pesquisa do município e é visitado por estudantes de graduação, pós-graduação e professores. O espaço está localizado na Avenida Juracy Magalhães, nº 3902, no bairro Felícia.




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