
Morreu nesta terça-feira (22/9), aos 95 anos, o jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras Zuenir Ventura. A causa da morte, segundo a ABL, foi uma pneumonia. O corpo será velado amanhã na Academia Brasileira de Letras, no Centro do Rio, e enterrado no mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista.
Morre Zuenir Ventura: Em última coluna no GLOBO, jornalista refletiu sobre pandemia, racismo e a violência no Brasil; leia
Luto no jornalismo: Zuenir Ventura, de ‘Chico Mendes’ a ‘1968’, deixa legado sobre o Brasil; veja obras
Filho de José Ventura, pintor de parede, e Herina de Araújo, dona de casa, Zuenir Carlos Ventura nasceu no dia 1º de junho de 1931, no município mineiro de Além Paraíba. Aos 11 anos, mudou-se com a família para Nova Friburgo, na região serrana do Estado do Rio. Sem descuidar dos estudos, até porque essa era uma exigência da mãe, Zuenir ajudava o pai no ofício, chegando a trabalhar também como office-boy.
Desde o texto sobre Camus, no ano de 1960, Zuenir nunca mais deixou as redações de jornais do país — conciliando seu tempo com as salas de aula. Durante décadas, foi professor da Escola de Comunicação da UFRJ e da Escola Superior de Desenho Industrial, ganhando o apelido de Mestre Zu. Amável no trato com os alunos e rigoroso em relação aos trabalhos apresentados, ele sempre manteve o espírito crítico sobre seu ofício.
Mundo acadêmico à parte, Zuenir também fez história na imprensa, ocupando vários cargos de comando. A partir da década de 1960, e depois de uma temporada na França como bolsista no Centro de Formação de Jornalistas, de Paris, Zuenir foi editor internacional do Correio da Manhã, diretor de redação da revista Fatos & Fotos, chefe de reportagem da revista O Cruzeiro, editor-chefe da sucursal Rio da revista Visão. Em 1967, foi um dos criadores do jornal alternativo O Sol.
Mesmo com a difícil tarefa de gerenciar equipes de jornalistas, Zuenir nunca deixou de lado a verdadeira vocação: apurar e escrever histórias reais. De preferência, deixando a redação e indo para as ruas atrás de boas fontes.
“Nada substitui o olho no olho. Muitas vezes, o silêncio em uma entrevista fala mais do que as palavras”, afirmou ele em entrevista à Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo em 2008.]
A intensa vivência do jornalista com os acontecimentos que retratou em seu livro também o fez ser preso pelo governo militar justamente em dezembro de 1968, logo após a decretação do AI-5, o ato inconstitucional que suspendeu direitos políticos dos cidadãos. Zuenir ficou na cadeia durante três meses, dividindo a cela com o psicanalista Hélio Pellegrino, entre outros cidadãos considerados subversivos, sem maiores explicações, segundo ele. “Não fui torturado, embora ficasse sempre com medo”, disse ele ao Memória Globo.
Vida que segue. Em 1971, Zuenir trabalhava novamente na revista Visão, permanecendo como chefe da sucursal carioca até 1977, quando foi para a revista Veja. Em 1981, transferiu-se para a revista IstoÉ. Já em 1985, foi para o tradicional Jornal do Brasil.
Mín. 24° Máx. 27°

